sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Equipa portuguesa que procura matéria escura fica sem apoio da FCT

Equipa portuguesa que procura matéria escura fica sem apoio da FCT

Investigadores da Universidade de Coimbra estão envolvidos desde 2004 num dos mais importantes projectos internacionais.

A experiência Xenon 1 T consiste num poderoso detector de matéria escura
Desde 2004, que uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) está envolvida no projecto internacional Xenon 1 Tonelada, que tem como objectivo a detecção directa e a caracterização da matéria escura do Universo. Depois de oito anos de trabalho e publicações na «Physical Review Letters», a equipa recebeu a notícia, no final do ano passado, que não iria ter financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para os anos 2014-2016. José Matias Lopes, coordenador dos cinco investigadores do Departamento de Física da UC envolvidos neste projecto, já manifestou o seu descontentamento face a esta situação, até porque, se tudo correr como esperado, em breve a matéria escura será detectada, o que pode dar o Nobel a quem está à frente da investigação, neste caso, Elena Aprile, coordenadora, na Universidade da Columbia, desta investigação internacional. O cientista, citado pelo «Jornal de Notícias», explica que quem avaliou o projecto em nome da FCT não entendeu a maior parte das questões técnicas e não avaliou o mérito da equipa.
Envolvendo 54 investigadores de 14 instituições de nove países, a experiência Xenon 1 T consiste num poderoso detector de matéria escura, com 62 quilogramas de xénon líquido hiper-puro, colocado no laboratório subterrâneo de Gran Sasso, em Itália. O detector está debaixo de 1300 metros de rocha para que a intercacção da radiação cósmica seja drasticamente reduzida. 


A “um passo” da descoberta da matéria negra

Experiência XENON100 com os melhores resultados de sempre

Experiência realizada com poderoso detector de matéria negra
A experiência XENON, onde participam cinco investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), acaba de alcançar a maior sensibilidade de sempre – pelo menos três a quatro vezes melhor do que qualquer outro instrumento disponível para a procura do esquivo componente do nosso universo conhecido como matéria negra.

Os resultados agora tornados públicos, e submetido à prestigiada «Physical Review Letters», são o resultado da análise de cem dias de medidas com o detector XENON100, a perscrutar a existência de Weakly Interactive Massive Particles (WIMPs), as principais candidatas à composição da misteriosa matéria negra. Embora não se possa declarar ainda a descoberta das WIMPs, “o nível de sensibilidade sem precedentes atingido pela experiência XENON100 torna mais provável esta detecção a curto prazo. O que destaca a XENON100 de entre as experiências que pretendem medir a matéria negra é o facto de se ter conseguido reduzir o nível de radiação de fundo para um por cento daquele a que estão sujeitas as restantes experiências. Este é o factor determinante na identificação do sinal das WIMPs», afirma o coordenador da equipa portuguesa, José Matias.

Os estudos cosmológicos indicam que a matéria já identificada é apenas 17 por cento da existente no Universo. A natureza e propriedades dos 83 por cento ainda desconhecidos, a chamada matéria negra, é o maior mistério da cosmologia por revelar, havendo mais de uma dezena de experiências a decorrer a nível mundial, cujo objectivo é a sua detecção. A experiência XENON100 consiste num poderoso detector de matéria negra, com 62 quilogramas de xénon líquido hiper-puro, colocado no laboratório subterrâneo de Gran Sasso, em Itália, sob 1300 metros de rocha, para reduzir drasticamente a interacção da radiação cósmica no detector, a qual de outra forma iria mascarar os raros sinais da matéria negra.

A continuação da realização de medidas ao longo de 2011 e o plano da colaboração para construir um detector muito maior nos próximos anos permitem antever uma década emocionante na procura de solução para o mistério mais fundamental da Natureza. A experiência XENON envolve 54 investigadores de 14 instituições distintas de nove países. Uma dessas instituições é a UC, através da equipa de cinco cientistas do Centro de Instrumentação do Departamento de Física.

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