Investigadores da Universidade de Coimbra estão envolvidos desde 2004 num dos mais importantes projectos internacionais.
A experiência Xenon 1 T consiste num poderoso detector de matéria escura
Desde 2004, que uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) está envolvida no projecto internacional Xenon 1 Tonelada, que tem como objectivo a detecção directa e a caracterização da matéria escura do Universo. Depois de oito anos de trabalho e publicações na «Physical Review Letters», a equipa recebeu a notícia, no final do ano passado, que não iria ter financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para os anos 2014-2016. José Matias Lopes, coordenador dos cinco investigadores do Departamento de Física da UC envolvidos neste projecto, já manifestou o seu descontentamento face a esta situação, até porque, se tudo correr como esperado, em breve a matéria escura será detectada, o que pode dar o Nobel a quem está à frente da investigação, neste caso, Elena Aprile, coordenadora, na Universidade da Columbia, desta investigação internacional. O cientista, citado pelo «Jornal de Notícias», explica que quem avaliou o projecto em nome da FCT não entendeu a maior parte das questões técnicas e não avaliou o mérito da equipa.
Envolvendo 54 investigadores de 14 instituições de nove países, a experiência Xenon 1 T consiste num poderoso detector de matéria escura, com 62 quilogramas de xénon líquido hiper-puro, colocado no laboratório subterrâneo de Gran Sasso, em Itália. O detector está debaixo de 1300 metros de rocha para que a intercacção da radiação cósmica seja drasticamente reduzida.
A “um passo” da descoberta da matéria negra
Experiência XENON100 com os melhores resultados de sempre
Experiência realizada com poderoso detector de matéria negra
A experiência XENON, onde participam cinco investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), acaba de alcançar a maior sensibilidade de sempre – pelo menos três a quatro vezes melhor do que qualquer outro instrumento disponível para a procura do esquivo componente do nosso universo conhecido como matéria negra.
Os resultados agora tornados públicos, e submetido à prestigiada «Physical Review Letters», são o resultado da análise de cem dias de medidas com o detector XENON100, a perscrutar a existência de Weakly Interactive Massive Particles (WIMPs), as principais candidatas à composição da misteriosa matéria negra. Embora não se possa declarar ainda a descoberta das WIMPs, “o nível de sensibilidade sem precedentes atingido pela experiência XENON100 torna mais provável esta detecção a curto prazo. O que destaca a XENON100 de entre as experiências que pretendem medir a matéria negra é o facto de se ter conseguido reduzir o nível de radiação de fundo para um por cento daquele a que estão sujeitas as restantes experiências. Este é o factor determinante na identificação do sinal das WIMPs», afirma o coordenador da equipa portuguesa, José Matias.
Os estudos cosmológicos indicam que a matéria já identificada é apenas 17 por cento da existente no Universo. A natureza e propriedades dos 83 por cento ainda desconhecidos, a chamada matéria negra, é o maior mistério da cosmologia por revelar, havendo mais de uma dezena de experiências a decorrer a nível mundial, cujo objectivo é a sua detecção. A experiência XENON100 consiste num poderoso detector de matéria negra, com 62 quilogramas de xénon líquido hiper-puro, colocado no laboratório subterrâneo de Gran Sasso, em Itália, sob 1300 metros de rocha, para reduzir drasticamente a interacção da radiação cósmica no detector, a qual de outra forma iria mascarar os raros sinais da matéria negra.
A continuação da realização de medidas ao longo de 2011 e o plano da colaboração para construir um detector muito maior nos próximos anos permitem antever uma década emocionante na procura de solução para o mistério mais fundamental da Natureza. A experiência XENON envolve 54 investigadores de 14 instituições distintas de nove países. Uma dessas instituições é a UC, através da equipa de cinco cientistas do Centro de Instrumentação do Departamento de Física.

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